Literary Agrigento:


Murilo Mendes

Meditaçao de Agrigento Quem nos domara a força vã, quem nos sufocara o instinto Para permanecermos Em conformidade à linha do céu, A estas colunas perenes, Ao oculto mar lá embaixo.

Quem nos transformara em folha Ou no súbito lagarto Que se esgueira sob tuas pedras, Templo F, sereno templo F, Arquitetura de reserva e paz.

Transformar-se ou não, eis o problema. Durar na zona limite da memória, Nos limbos da vontade, Ou submeter a pedra, cumprir o ofício rude, Aprender do lavrador e do soldado.

Qual a forma do poeta? Qual seu rito? Qual sua arquitetura?

Mudo, entre capitéis e cactos Subsiste o oráculo. A manhã doura a pedra e vagos nomes, Agrigento me contempla, e vou-me.

Siciliana (1959)